MAIS SOMBRIO QUE A MORTE
"Existe escuridão maior que a morte? Gotham City, minha cidade. Ame-a ou deixe-a. Só não fique indiferente. Entretanto, ultimamente venho pensando no que faz falta. Estranho, não? Falta algo aqui? Gotham tem os melhores espetáculos, a melhor comida e serve o melhor do crime. O que falta é a música. Claro que temos nossa própria produção musical. Mas se você pensa em Nova York, pensa logo em Sinatra. (...)
Mas e Gotham? Nada. Silêncio. Preto profundo. Impenetrável. Escrevem-se canções sobre amor, dor de cotovelo e perdas. Mas nenhuma sobre desesperança, sobre o fundo do poço da derrota ou a morte lenta da alma. Talvez seja a visão daquela moça fugidia e sofrida, talvez seja ver a futilidade de mais um grupo de vândalos somando sua cota de marginalidade e ódio a uma cidade outrora gloriosa. Talvez seja mais um blecaute em mais um verão já sufocante de umidade e desumanidade.
Mas alguma coisa hoje me deixa vazio e morto por dentro, como em nenhuma outra noite. Algo que nenhuma letra de música pode abranger. Não há letra que aplaque todas as noites solitárias... de observar e esperar sozinho. Tão só quanto aquela garota ameaçada... ou mesmo seus agressores. Tudo culmina numa vida inteira de vigilância vazia, espera vazia e, no fim das contas, violência vazia. Na vazia jornada de volta para casa e para a cama mais vazia ainda. Existe escuridão maior que a morte? Eu creio que existe". (JONES, Bruce; Mais Sombrio que a Morte, 2006 )
Batman: um personagem icônico, complexo e cicatrizado, que traduz as lutas internas mais obscuras e subterrâneas da alma humana. Icônico porque é identificável com milhares de histórias comuns, como às das pessoas que brigam para dar sentido à vida. Complexo, pois, é humano. Cicatrizado, porque teve um encontro intenso, ainda criança, com uma particularidade muito peculiar da vida: a morte.
Batman: um personagem icônico, complexo e cicatrizado, que traduz as lutas internas mais obscuras e subterrâneas da alma humana. Icônico porque é identificável com milhares de histórias comuns, como às das pessoas que brigam para dar sentido à vida. Complexo, pois, é humano. Cicatrizado, porque teve um encontro intenso, ainda criança, com uma particularidade muito peculiar da vida: a morte.
Seja nas
Histórias em Quadrinhos (HQs), nos filmes,
séries ou desenhos animados, o Batman sempre possui um ar sombrio, obscuro e
misterioso. Como se tivesse algo a esconder por trás da máscara. Abordagem
direta, poucas palavras, violência, impessoalidade: um tanto paradoxal para um
herói que busca trazer a ordem, a paz, o bem comum.
O personagem
nasceu pelas mãos dos jovens desenhistas americanos Bob Kane e Bill Finger em
1939,
da editora de Histórias em Quadrinhos conhecida na época por Detective Comics, hoje DC Comics. No ano anterior, havia
surgido outro personagem, também famoso: o Superman.
Era a Era de Ouro dos quadrinhos e “The Bat-Man” (nome inicial do
personagem) aparece na publicação de número 27 da editora. Kane se inspirou nos
romances policiais (pulps) e no
mascarado mexicano, o Zorro, para criar seu herói.
Ao contrário do Superman,
um herói de outro planeta (Krypton) que
possui poderes extra naturais (levantar vôo, visão raio-x, força extrema, raio laser de aquecimento e resfriamento nos
olhos e etc.), o Batman (do inglês:
homem morcego) se serve de artefatos militares, tecnologia de ponta e
treinamento físico e intelectual para combater o crime em Gotham City, a cidade
de insanos artistas do crime.
E porque
combater o crime? Quais as motivações que levam um homem comum chamado Bruce
Wayne a vestir um traje militar, dedicar tempo e energia em uma tarefa tão
arriscada, tendo uma vida dupla? Seria um sadismo inato? Teria ele um vício por
adrenalina? Ou suas brincadeiras de herói na infância se desdobraram na vida
adulta como um playground sangrento e
real? Todas as alternativas anteriores podem fazer parte da personalidade do
jovem Bruce, mas existe uma e apenas uma, que dá fundamento a essas e outras
motivações: uma promessa.


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